Maria Izabel Fontoura

Maria Izabel Fontoura
Maria Izabel Fontoura, nasceu na Corte do Rio de Janeiro, no dia 2 de julho de 1858, na rua São Cristóvão. Filha legítima do engenheiro Antonio Dias Galvão da Fontoura e de dona Izabel Carlota Fontoura.
Com um ano de idade, faleceu a mãe, ficando com o pai e duas escravas, Josefa e Mariazinha.
Ao completar três anos, seu pai achou difícil trabalhar e levá-la junto; seu irmão o Arcipreste Ezequias Galvão da Fontoura, aconselhou
que internasse a menina no Seminário das Educandas Orfaş na rua da Consolação, em São Paulo, (hoje Praça Rosevelt).
Seu pai deu carta de liberdade às escravas, entregando a filha à diretora Irma Luiza Antonia Zenin. Foi criada com muito carinho.
Quando tinha sete anos, seu pai veio a falacer em Sorocaba, de febre amarela.
Sua tia veio buscá-la, mas a menina não quis deixar aquela que parecia sua verdadeira mãe.
Fez a primeira comunhão no dia 12 de novembro de 1870, sendo capelão do Seminário, o Revmo. Cônego Júlio Marcondes de Araújo e Silva.
Recebeu carta de professora pública interina no dia 15 de julho de 1885, pelo Bacharel Francisco Antonio de Souza Queiroz Filho, vice-
presidente da Província de São Paulo. (registrada na Secretaria da Instrução Pública, no livro competente, folha 192 em 17 de julho de 1885 por Izaiás Vilaça).
A carta foi registrada em Cruzeiro, no dia 15 de setembro de 1885 pelo Major Novaes.
Chegando a Cruzeiro, o Major Novaes achou que ela não podia ficar como professora naquele lugar, de vez que só tinha casas de tábuas cobertas de zinco e muitos ingleses, construindo a estrada de ferro.
Com a sua concordância, transferiu-a para a Vila de N.S. da Conceição de Cruzeiro (atual Embaú), na sua chegada, houve banquetes, música e baile, pois fazia tempo que o lugar, não tinha professora.
Em pouco tempo, tornou-se amiga de todos. Matriculou muitas meninas.
A frequência era ótima. Com autorização do Inspetor Escolar, José Monteiro Boanova, lecionava para os meninos, (não havia escola para meninos).
Casou-se no dia 30 de outubro de 1889, com Francisco Serapião Júnior.
Era esposa carinhosa e mãe estremada. Ficou viúva no dia 4 de dezembro de 1895, com dois filhos: Luiz Gonzaga Serapião e Francisca Fontoura Serapião. Faleceu no dia 4 de janeiro de 1950, deixando da parte do filho, 9 netos, 56 bisnetos e da parte da filha, 8 netos e 17 bisnetos.
Tinha uma afilhada no Seminário. Esta veio para sua companhia até se casar. Internou mais três orfãs no Seminário.
Criou um menino, que mais tarde passou a morar com os Salesianos, sendo professor no Liceu do Sagrado Coração e depois irmão leigo, no Colégio Santa Rosa em Niterói.
Deixou mais de 360 afilhados. Tomava parte no coro da Matriz, promovia festas, cuidava da Primeira Comunhão. Na aula, ensinava trabalhos manuais, costura, bordados, crochet, flores, etc. As alunas pobres, ela dava roupa, calçado e material para aprender. Auxiliava os pais, quando necessitavam de remédios e até de doutor, quando precisavam.
Nos exames finais, dava os trabalhos aqueles que eram pobres. Distribuia doces e prêmios a todos. Todos participavam da festa.
Ainda existe muitas senhoras de idade, que foram suas alunas e diversos senhores, sendo um funcionário aposentado da Caixa Econômica Estadual de São Paulo, um construtor, um comerciante aposentado e muitos outros.
Em 1918, na epidemia da gripe espanhola, não deixou os pobres sofrerem.
Levava leite, remédios e algum dinheiro para eles. Fazia a caridade, com o pouco que ganhava. Foi prejudicada com a mudança da sede em 2 de outubro de 1901, sendo professora de Vila, ficou recebendo vencimentos de professora de Distrito. Aposentou-se em 1918. Lecionou 33 anos.
Só gozou uma licença prêmio, em maio de 1913.
Faleceu no dia 4 de janeiro de 1950, com 92 anos de idade. Sofreu muito. Esteve três anos sem poder mover-se, com reumatismo.
Chamava sua filha de “mamãe”. Só tinha medo de morrer no escuro, sozinha. As alunas que residiam distante, moravam com ela. Não cobrava pensão. A outras ela dava lanche, no recreio, porque eram pobres.
Gostava de flores e passarinhos. Sua sala tinha animais embalsamados, com ovos de passarinhos e borboletas de todos os tamanhos.
Um verdadeiro museu.
Informações obtidas no blog
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