IZABEL FORTES

Izabel Fortes
Foi em 23 de julho de 1941 que Izabel Fortes nasceu na pequena Cachoeira Paulista. Apesar de seus pais não terem recebido nenhum manual de instrução de como lidar com criança, eles deram conta do recado. Com certeza, foi o amor dos dois o responsável por terem feito dela uma amante da vida.
Cresceu, cercada pelo carinho e cobrança de seus quatro irmãos mais velhos, numa casa grande com um quintal completo, com árvores centenárias de todas as espécies, um riozinho com guarus e até iaras e, acreditem se quiser, uma casinha onde moravam alguns andarilhos que, convidados pelo pai dela, por lá pernoitavam, dos quais ela ouvia muitos causos e se encantava por eles! Às vezes, andava abraçada com um livro, que roubava da estante das irmãs, como se fosse um brinquedo importante! Teve uma infância livre e feliz… Brincava o tempo todo, e “lia”, mesmo antes de conhecer as letras! Brincar e ler tinham os mesmos valores para ela!
467 Foi alfabetizada por uma tia-professora, numa escolinha de roça lá perto de Silveiras!! Depois disso, não parou de ler mais, apesar da decepção com as histórias incompletas da cartilha e das escolas que quase nunca incentivavam a leitura!! Cursou o Grupo Escolar Dr. Evangelista Rodrigues e o Ginásio Valparaíba, em Cachoeira e o Instituto de Educação Dr. Rodrigues Alves, em Guaratinguetá.
A morte do pai, quando Izabel tinha apenas catorze anos, foi seu ritual de passagem, ela amadureceu prematuramente. Não teve os arroubos da adolescência. Por essa época, os livros foram seus grandes companheiros! Voltou a ler alguns contos de fada com cujas personagens se identificava. João e Maria dos irmãos Grimm foi um deles! Releu alguns infantis de Monteiro Lobato e se refugiava no Sítio do Pica-Pau Amarelo para aliviar sua dor! Viajou com Tom Sawyer de Mark Twain para bem longe, e, sobretudo, com as três meninas de As Mulherzinhas, de May Alcott, com cujo sofrimento se identificava! Os demais livros ela lia por exigência do Curso Clássico que cursava. O tempo passou…
Enfiou a cara nos estudos e, aos dezoito anos, entrou na Faculdade de Letras da PUC, em São Paulo. Queria ser professora para poder levar mais gente a descobrir o valor do livro e o prazer da leitura! Gostava também de escrever, mas como não conseguisse produzir boa literatura, como os grandes escritores que lia, engavetou seus escritos.
Por essa ocasião, um grande amigo de infância conquistou seu coração! Quanto amor! Namoraram por muito tempo… Noivaram… Casaram-se, mais tarde, e tiveram três filhos…
Ainda como aluna da faculdade, em 1964, começou a dar aulas no Colégio Paulistano, ao lado de professores tão idosos quanto seus avós!! Aprendeu muito com eles, mas também criou muitos problemas, em decorrência de suas ideias inovadoras! . Em suas aulas, sempre brigou com a gramática e com os livros didáticos, valorizando a leitura de bons livros de literatura e a produção de textos, afirmando, sempre que era interrogada, que se aprende a nadar, nadando, isto é… Muitos bons alunos voltaram para lhe confirmar que se tornaram bons leitores e alguns escritores, graças ao incentivo dela! Um deles merece ser citado: Eric Nepomuceno, um premiado tradutor e escritor.
Além de ser professora em escolas públicas e particulares por mais de trinta anos, em São Paulo, Campinas e Cachoeira Paulista, trabalhou na DE de Campinas, como monitora de Língua Portuguesa, e também em Projetos de Dinamização de Bibliotecas Escolares, ligados à PUCC e a DRE de Campinas e em Projetos de Leitura e Produção de Textos junto aos professores da Faculdade de Educação e do IEL da UNICAMP. Nunca sobrava tempo para a professora de Língua e Literatura escrever seus livros!!! Aposentou-se no estado, mas continuou a dar aulas nas particulares, mesmo depois de voltar para Cachoeira! Trabalhou no Educandário Luísa Gomes de Lemos (?) e no Colégio Objetivo!
Aposentou-se de vez, e decidiu ser escritora!!! Resolveu passar para o papel as histórias que ouvira quando criança, as que contava para seus queridos filhos e depois para seus seis maravilhosos netos! (Hoje eles todos já cresceram e estão ouvindo outras histórias pelo mundo afora!!)
Então, de volta às origens, continuou devorando livros e, agora sim, com tempo de sobra e sem medo de ser simples, o que aprendeu com Rubem Alves, tirou seus escritos da gaveta, terminando alguns e digitando outros novos, ou melhor, escrevendo outros, pois a caneta e a folha em branco ainda lhe inspiram mais!
Hoje, até faz parte da ACLA – Academia Cachoeirense de Letras e Artes
Obras publicadas:
Alegria Colorida, A Ubá do Curumim, Os Tantos Cantos da Memória, O Chiqueiro Mágico do Cantinho do Quintal, Brincadeiras de Letrinhas, O Sumiço da Casa da Palha.
No forno:
Não é, Mas é Como se Fosse…
E muitas engavetadas ainda…